Número por extenso: as regras de escrita em português
Atualizado em 2026-08-25
Por que ainda escrevemos números por extenso
Parece um resquício burocrático, mas tem razão de ser: o extenso é uma checagem contra fraude e erro de digitação. Um algarismo pode ser alterado com um traço de caneta; uma quantia escrita por extenso, não.
Por isso o extenso continua obrigatório ou fortemente recomendado em cheques, contratos, procurações, notas promissórias, documentos societários e peças jurídicas. Em muitos desses documentos, quando o algarismo e o extenso divergem, prevalece o extenso.
As regras básicas
Quando usar "e"
Em português, o "e" entra entre as ordens dentro de uma mesma classe — centenas, dezenas e unidades:
- 132 → cento e trinta e dois
- 205 → duzentos e cinco
- 1.040 → mil e quarenta
Entre classes (milhar, milhão, bilhão), o "e" só aparece quando a classe seguinte é menor que 100 ou termina em centena redonda:
- 1.005 → mil e cinco
- 1.500 → mil e quinhentos
- 1.234 → mil duzentos e trinta e quatro (sem "e" depois de mil)
- 2.000.300 → dois milhões e trezentos
- 2.041.500 → dois milhões, quarenta e um mil e quinhentos
Essa é a regra que mais gera dúvida, e o critério prático é simples: se depois da classe maior vem um número de três dígitos "cheio", não entra "e"; se vem algo menor que cem ou uma centena redonda, entra.
Nada de "hum"
"Hum real" e "hum mil" não existem na norma. A forma correta é um real, um mil — ou simplesmente mil.
O "hum" surgiu como prática bancária para evitar que o "um" fosse adulterado em cheques, mas nunca foi aceito gramaticalmente. Hoje, com cheques em desuso, não há razão nenhuma para escrever assim.
Concordância de gênero
Alguns numerais variam com o gênero do substantivo:
- um / uma: um livro, uma casa
- dois / duas: dois reais, duas horas
- duzentos / duzentas, e assim por diante até novecentos: duzentos reais, duzentas páginas
Os demais são invariáveis: três, quatro, quinze, trinta, mil.
Cuidado com o caso composto: R$ 202,00 é "duzentos e dois reais", mas 202 páginas é "duzentas e duas páginas".
Milhão, bilhão e o plural
Milhão, bilhão e trilhão são substantivos e vão para o plural:
- 1.000.000 → um milhão
- 2.000.000 → dois milhões
- 3.000.000.000 → três bilhões
Já "mil" é invariável: dois mil, cem mil, quinhentos mil. Nunca "dois mis".
Valores em dinheiro
Esta é a aplicação mais comum, e tem regras próprias.
O formato padrão
Escreva o valor inteiro, a palavra "reais", e depois os centavos:
- R$ 1.234,56 → um mil, duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e seis centavos
- R$ 50,00 → cinquenta reais
- R$ 0,99 → noventa e nove centavos
- R$ 1,00 → um real
- R$ 1,01 → um real e um centavo
Note que "centavo" também vai para o plural, e que R$ 1,01 usa "um centavo" no singular.
Valores redondos
Quando não há centavos, não escreva "e zero centavos". R$ 300,00 é simplesmente "trezentos reais".
Um milhão de reais
Aqui há uma sutileza. O correto é "um milhão de reais", com a preposição, porque milhão é substantivo e pede complemento. Já "duzentos reais" dispensa o "de", porque duzentos é adjetivo numeral.
- R$ 1.000.000,00 → um milhão de reais
- R$ 1.500.000,00 → um milhão e quinhentos mil reais (sem "de", porque o último elemento é "mil")
O conversor de número por extenso aplica essas regras automaticamente, o que evita justamente esse tipo de erro em documento formal.
Ordinais
Ordinais têm formas próprias e são frequentemente escritos errado a partir do vigésimo:
| Número | Ordinal |
|---|---|
| 1º | primeiro |
| 2º | segundo |
| 10º | décimo |
| 11º | décimo primeiro |
| 20º | vigésimo |
| 30º | trigésimo |
| 40º | quadragésimo |
| 50º | quinquagésimo |
| 60º | sexagésimo |
| 70º | septuagésimo |
| 80º | octogésimo |
| 90º | nonagésimo |
| 100º | centésimo |
| 200º | ducentésimo |
| 300º | trecentésimo |
| 500º | quingentésimo |
| 1000º | milésimo |
Uma regra prática de escrita formal: até o décimo, use ordinal; a partir do onze, cardinais são aceitos em muitos contextos ("capítulo 12" em vez de "décimo segundo capítulo").
E no caso de dias do mês, só o primeiro é ordinal: 1º de setembro, mas 2 de setembro.
Frações e decimais
- 1/2 → um meio, ou metade
- 1/3 → um terço
- 2/3 → dois terços
- 1/4 → um quarto
- 3/4 → três quartos
- 1/10 → um décimo
- 1/100 → um centésimo
Para decimais, leia a parte inteira, diga "vírgula" e leia a parte decimal:
- 3,14 → três vírgula quatorze
- 0,5 → zero vírgula cinco, ou meio
- 2,75 → dois vírgula setenta e cinco
Em contextos técnicos, também se usa a leitura dígito a dígito: 3,14 como "três vírgula um quatro".
Percentuais
- 15% → quinze por cento
- 0,5% → meio por cento, ou zero vírgula cinco por cento
- 100% → cem por cento
- 150% → cento e cinquenta por cento
"Por cento" é sempre separado, nunca "porcento". Para cálculos com percentuais, a calculadora de porcentagem resolve os três formatos mais comuns, e o guia de regra de três explica a matemática por trás.
Erros frequentes em documentos
Divergência entre algarismo e extenso
O erro mais grave. Escrever "R$ 15.000,00 (quinze mil e quinhentos reais)" cria uma contradição que pode invalidar ou judicializar o documento. Sempre confira os dois.
Esquecer os centavos
"R$ 1.234,56 (um mil, duzentos e trinta e quatro reais)" está incompleto. Os centavos precisam constar.
Usar "hum"
Já tratado acima. Não use.
Errar a concordância
"Duzentos e duas páginas" e não "duzentos e dois páginas". "Duas mil pessoas" e não "dois mil pessoas".
Escala longa e curta
Atenção em documentos internacionais: o "bilhão" brasileiro (10⁹) corresponde ao "billion" americano, mas a escala longa usada historicamente em alguns países europeus definia bilhão como 10¹². Em traduções financeiras, confirme a convenção.
Quando escrever por extenso no texto corrido
Fora dos documentos formais, há convenções editoriais razoavelmente estáveis:
- Números de zero a dez costumam ir por extenso: "três motivos", "dez anos".
- A partir de onze, algarismos: "15 participantes".
- Números redondos grandes ganham forma mista: "3 milhões", "1,5 bilhão".
- Nunca comece frase com algarismo — reescreva ou escreva por extenso.
- Idade, porcentagem, medida e valor monetário costumam ir em algarismo mesmo quando pequenos: "5 anos", "3%", "2 kg", "R$ 4,00".
Essas são convenções de estilo, não regras gramaticais — manuais de redação diferem em detalhes.
Perguntas frequentes
"Mil" ou "um mil"? Ambos são corretos. Em documentos financeiros, "um mil" é preferido por deixar explícito o algarismo inicial.
Como escrever R$ 1.000.000,50? Um milhão de reais e cinquenta centavos.
Precisa de vírgula entre as classes? Em valores longos, a vírgula ajuda a leitura: "dois milhões, trezentos e quarenta mil, quinhentos e vinte reais". Não é obrigatória, mas é boa prática.
"Cento" ou "cem"? "Cem" quando o número é exatamente 100 ou multiplica outro ("cem mil"). "Cento" quando seguido de outro valor: cento e um, cento e cinquenta.
E "catorze" ou "quatorze"? As duas grafias são aceitas pela norma. Escolha uma e mantenha a consistência no documento.
Ferramentas relacionadas
- Número por Extenso
Converta um número ou um valor em reais para a forma escrita por extenso, em português.
- Calculadora de Porcentagem
Calcule quanto é X% de um valor, qual porcentagem um número representa de outro, e aumentos ou descontos.
- Conversor de Unidades
Converta comprimento, peso, volume e temperatura entre as unidades mais usadas.