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FoiFácil

Como fazer um sorteio online justo e transparente

Atualizado em 2026-08-25

O problema não é sortear

Escolher um nome ao acaso é trivial. O difícil é fazer com que os participantes acreditem que foi ao acaso.

Todo sorteio de rede social tem alguém nos comentários dizendo que foi armado, que o ganhador é amigo de quem organizou, que a lista nem foi mostrada. Resolver isso é uma questão de processo, não de ferramenta.

O que torna um sorteio aleatório de verdade

Existe uma diferença técnica que raramente é discutida e que importa quando há valor envolvido.

Programas geram números "aleatórios" de duas maneiras. A comum — a função Math.random() do JavaScript, por exemplo — usa um algoritmo rápido que produz sequências estatisticamente bem distribuídas, mas previsíveis se alguém conhecer o estado interno do gerador. Ela nunca foi projetada para casos em que a imparcialidade é contestável.

A outra usa a fonte de aleatoriedade criptográfica do sistema, alimentada por ruído físico do hardware. É o mesmo mecanismo usado para gerar chaves de segurança, e é imprevisível mesmo para quem conhece o código.

O sorteio de nomes deste site usa a segunda. Na prática, para escolher quem lava a louça, tanto faz. Para um sorteio com prêmio real, faz diferença — e é o tipo de coisa que vale conferir na ferramenta que você usar.

O método do embaralhamento

Sortear um nome é fácil. Sortear vários sem repetir é onde muitas ferramentas erram.

O método correto é embaralhar a lista inteira e pegar os primeiros. O algoritmo de Fisher-Yates faz isso garantindo que toda ordem possível tenha exatamente a mesma probabilidade. Os primeiros nomes viram ganhadores, os seguintes viram suplentes — e ninguém pode sair duas vezes.

A alternativa ingênua — sortear um número, depois outro, torcendo para não repetir — introduz viés e obriga a tratar repetição de alguma forma.

Como comprovar a lisura

Nenhuma ferramenta resolve confiança sozinha. O que funciona é tornar o processo verificável:

Grave a tela durante o sorteio. Mostre a lista completa de participantes antes de clicar, com o total visível, e deixe a gravação rodando até o resultado aparecer. Publique o vídeo junto com o anúncio. O gravador de tela deste site faz isso sem instalar nada — e a gravação fica no seu computador.

Publique a lista de participantes. Antes do sorteio, se possível. Assim ninguém pode alegar que alguém foi incluído ou removido depois.

Anuncie as regras antes. Quantos ganhadores, quantos suplentes, como se qualifica, qual o prazo de resposta. Regra definida depois do resultado sempre parece conveniente.

Defina suplentes na mesma rodada. Se o ganhador não responder e você fizer um segundo sorteio, isso levanta suspeita — mesmo sendo legítimo. Tirar suplentes de antemão elimina o problema.

Faça ao vivo, se o prêmio for grande. Transmissão ao vivo é a forma mais convincente, porque não dá margem a edição.

Uma decisão que muda o resultado

Ao colar a lista, existe uma escolha que altera as chances e costuma passar despercebida: remover ou manter nomes repetidos.

Se a sua regra é "cada comentário vale uma chance", quem comentou cinco vezes deve aparecer cinco vezes na lista. Remover duplicatas nesse caso tira chances de quem participou mais — e contraria o que você anunciou.

Se a regra é "uma chance por pessoa", manter duplicatas dá vantagem indevida a quem comentou várias vezes.

Não existe opção certa em abstrato: existe a que corresponde à regra que você divulgou. Confira antes de sortear.

O que a lei brasileira exige

Aqui vale um alerta prático que muita gente descobre tarde.

No Brasil, promoção comercial com distribuição de prêmios mediante sorteio geralmente exige autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (função antes exercida pela Caixa). Isso está na Lei 5.768/71 e regulamentações posteriores. Promover sem autorização pode configurar infração, com multa.

A regra alcança promoções em que a empresa distribui prêmio para divulgar produto ou marca — o que inclui boa parte dos sorteios de rede social feitos por negócios.

Existem situações fora dessa exigência, como sorteios sem finalidade comercial entre amigos, ou modalidades específicas previstas na regulamentação. Mas a linha entre "brincadeira entre seguidores" e "promoção comercial" é mais estreita do que parece quando existe uma marca por trás.

Se você tem um negócio e vai sortear algo para divulgar, consulte a regulamentação vigente ou um advogado antes. Esta é uma orientação geral, não aconselhamento jurídico, e as regras mudam.

Para sorteio entre amigos, rifa informal sem fim comercial ou escolha de ordem de apresentação, nada disso se aplica.

Um roteiro que funciona

Para um sorteio de rede social bem conduzido:

  1. Publique as regras completas antes de começar
  2. Colete os participantes e monte a lista
  3. Confira se o total bate com o esperado
  4. Inicie a gravação de tela
  5. Mostre a lista completa e o número de participantes
  6. Defina ganhadores e suplentes conforme anunciado
  7. Sorteie
  8. Mostre o resultado ainda na gravação
  9. Publique o vídeo junto com o anúncio do ganhador
  10. Dê um prazo claro de resposta e acione o suplente se ele vencer

Parece burocrático, mas o roteiro inteiro leva poucos minutos — e elimina praticamente toda a discussão que costuma vir depois.

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